sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Inspeção Sindical no Presídio de Teófilo Otoni identifica situação de calamidade e SINDASP-MG pede intervenção urgente da SEAP



Ontem (23.11), o Presidente do SINDASP-MG Adeilton Rocha e o Diretor Regional Ramon realizaram uma inspeção sindical no Presídio de Teófilo Otoni, onde se deparou com uma situação calamidade. Adeilton e Ramon foram recebidos pelo Diretor Geral, José Alberto Souto, e percorreram as instalações da unidade acompanhados pelo ex-coordenador Alexandro e pelo Diretor de Segurança Rildo.
A situação encontrada na unidade é preocupante e exige uma intervenção urgente da SEAP. Com uma população carcerária muito acima de sua capacidade – atualmente com 597 presos para 298 vagas – e uma quantidade insuficiente de servidores, que chega à 1 (um) agente para 30 (trinta) presos em algumas situações, a unidade está prestes a virar cenário de rebeliões e motins.
O relacionamento dos Agentes com a Direção da unidade não é bom. Os servidores trabalham em um clima de desmotivação e distanciamento entre o diretor e os Agentes, o que causa grande prejuízo ao funcionamento da unidade. Além disso, o Presidente e o Diretor do SINDASP-MG presenciaram inúmeras situações atitudes de indisciplina e desrespeito aos Agentes por parte dos presos: “A unidade está perdendo o controle e os presos já perceberam a situação de vulnerabilidade em que esta se encontra”, constata Adeilton.
Para piorar a situação, a falta de água na unidade tem sido motivo de reclamações constantes entre os presos que ficam agitados e culpam os Agentes pelas condições precárias de encarceramento e criando um clima de tensão. Devido ao período de seca na região, água que é fornecida pela Penitenciária foi reduzida em um terço de sua quantidade anterior (de 60 para 20 mil litros por dia) e, para seu contingenciamento, é liberada apenas 3 (três) vezes ao dia. A falta de remédios controlados também tem sido motivo de revolta entre os presos.
No que concerne aos equipamentos, a unidade encontra-se totalmente desprovida. Todos os 40 coletes da unidade estão vencidos. Não há armamento e munições antimotim suficientes e as granadas, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo da unidade também estão vencidas. A unidade está totalmente desprovida de equipamentos para enfrentar motins e rebeliões.
As escoltas da unidade também estão comprometidas pela falta de veículos. Com vários veículos baixados, o número de viaturas é insuficiente para atender a grande quantidade de presos. Não há médico na unidade, fazendo com que os presos tenham que ser atendidos nas unidades de saúde da cidade que fica há 15 quilômetros da unidade aumentando a demanda de escoltas.
A unidade também não possui alojamento adequado para os Agentes que utilizam um espaço improvisado e sem ventilação para descanso. As condições precárias de trabalho dos agentes da unidade também perpassam pela carga horária desgastante ao qual são submetidos devido ao altíssimo déficit de servidores.
Adeilton irá notificar todas as autoridades e órgãos responsáveis pela fiscalização e gestão do Sistema Prisional exigindo uma INTERVENÇÃO URGENTE destes órgãos na unidade. Segundo ele, “A SEAP precisa intervir imediatamente de forma a restaurar a ordem no Presídio de Teófilo Otoni, caso contrário presenciaremos, muito em breve, motins e rebeliões na unidade. Este é um ambiente totalmente propício à subversão da ordem e o Estado precisa assumir sua responsabilidade sobre a vida das pessoas que estão ali".


Sindasp - MG

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