segunda-feira, 10 de julho de 2017

Revoltados com superlotação, detentos do Presídio de João Monlevade planejam rebelião

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Os detentos do Presídio de João Monlevade ameaçam uma rebelião para chamar a atenção das autoridades quanto a superlotação na unidade. Segundo informações, o número de encarcerados ultrapassa 250 pessoas. A capacidade ideal é de apenas 75 presos.
Um familiar de detento enviou um pedido de ajuda para nossa reportagem, onde informa que em uma cela com capacidade para 15 presos estão alojados mais de 40. Ainda segundo o familiar a maioria dos detentos dorme no chão, sem nenhum tipo de proteção contra o frio. Ainda segundo a denúncia, no Estado há mais de 33 mil vagas disponíveis em unidades prisionais.
A denúncia partiu de familiares de detentos que cobram providências “Precisamos de uma atenção (…) os presos estão pedindo um pouco de dignidade. As celas que cabem 15 presos estão ultrapassando os 40. Errou tem que pagar, mas que seja com dignidade. (…) existem 33 mil vagas disponíveis nos presídios pra fora mais não fazem transferência, pois não liberam verba pra gasolina e nem escolta. A pouco tempo teve uma rebelião e duas celas foram destruídas. No aperto tiveram as transferências, porém o problema não foi resolvido, foi apenas temporário. Os presos dessa vez fizeram um oficio na galeria e caso não resolva o problema haverá outra rebelião. Desta vez pior. Eles vão quebrar tudo. O diretor está ciente e pediu para poderem esperar mais alguns dias para os familiares tentarem resolver de forma passiva (…)”, consta no pedido enviado à reportagem.
Diante da situação caótica os presos vêm tentando negociar com a direção da unidade transferências para outros presídios do Estado, mas sem sucesso. Segundo a denúncia, a falta de combustíveis para abastecer as viaturas seria um dos problemas apontados pela direção da não transferência.
Ainda segundo informações, uma rebelião estaria programada para acontecer no último sábado (8), mas os presos conseguiram negociar com o diretor do presídio, Eiziário Almir dos Santos, na sexta-feira (7), que pediu um pouco mais de tempo para tentar resolver o problema. Isso porque o Juiz Rodrigo Braga Ramos, responsável pela Vara de Execuções Criminais, estava de férias.
Em contato com o magistrado fomos informados pela secretária que ele estava em reunião e retornando ao trabalho hoje (11). Ele não estaria a par dos fatos e, que por isso, não iria se manifestar antes de tomar conhecimento do caso.
Alem da superlotação, os detentos reclamam que alguns direitos deles não estariam sendo cumpridos, como revisão de processos, por exemplo.
Questionada sobre a superlotação no Presídio, sobre as medidas a serem adotadas e se a falta de transferência seria de fato a falta de recursos para combustíveis das viaturas, por meio de nota a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), informou que não procede a informação de que existem 33 mil vagas disponíveis no sistema prisional. Apesar de não responder como pretende minimar a questão do presídio de João Monlevade, a Seap alegou que está realizando esforços no sentido de minimizar o problema por meio de ações como a criação de novas vagas em 2017. “A superlotação é uma realidade em todo o País. Em Minas Gerais, a Secretaria vai inaugurar quatro unidades prisionais até o fim de 2017: Montes Claros, Divinópolis, Alfenas e Itajubá, o que resultará em 1.218 vagas. Além dessas, há previsão de 550 vagas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, sendo 400 em um anexo do Presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, e 150 em um anexo do Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte”, consta no texto.
Motim no ano passado
Na madrugada de 26 de setembro do ano passado, um motim em função da superlotação, provocou a destruição parcial de duas celas que foram interditadas por cerca de 30 dias, até passarem por reformas. O incidente teve como desfecho a transferência de 88 detentos para unidades no Estado. Na ocasião o número de presos era de 288.

Da Redação

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