terça-feira, 24 de janeiro de 2017

OAB denuncia venda de drogas no sistema prisional de Juiz de Fora

Comissão diz que suspeita de ajuda de advogados e agentes penitenciários.
Sindicato nega que agente tenha sido preso; Seap ainda não se posicionou.

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A Comissão Carcerária da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) denunciou a existência de um comércio de drogas e celulares dentro do sistema prisional de Juiz de Fora. De acordo com a comissão, a suspeita recai sobre agentes penitenciários e advogados que levariam os materiais para as unidades, que estão superlotadas. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) ainda não se posicionou sobre o assunto.
De acordo com o presidente da Comissão, David Hallack, a prisão recente de um agente com drogas vai gerar uma investigação. “Portava certas porções de drogas e celulares. Esta prisão vai desencadear uma série de outras operações, então ainda está sob segredo de Justiça. Nós não podemos informar o nome do agente nem outras informações. Podemos afirmar que o fato ocorreu e ele está detido na Nelson Hungria”, disse. No entanto, de acordo com a assessoria jurídica do Sindicato dos Agentes, não houve essa prisão.
Para combater a entrada de drogas e celulares, em 2016, a Secretaria de Estado da Administração Prisional (Seap) instalou scanners nas unidades prisionais da cidade. São dois equipamentos no Ceresp e na portaria de acesso às penitenciarias José Edson Cavalieri e a Ariosvaldo Campos Pires.
No entanto, o representante da OAB alega que a revista no scanner é só para os parentes dos presos. “Segundo informações, estes agentes públicos estariam sob a força de uma liminar que os impediria de passar pelo body scan. Há uma investigação também de determinados advogados que estariam procedendo desta forma, uma vez que os advogados se submetem somente ao detector de metal. Há uma investigação completa neste sentido”, afirmou.
Para o presidente da Comissão Carcerária da OAB em Juiz de Fora, há um comércio instalado no presídio e no complexo penitenciário, não só de drogas, como também de celulares.
Hallack destacou que a superlotação das unidades é um fator agravante da situação. "Nós já temos esse problema há muitos anos. No Ceresp, por exemplo, temos a capacidade de 332 e hoje nós estamos com 930. Em uma das penitenciárias, a professor Ariosvaldo Campos Pires, em torno de 900 quando a capacidade seria 400”, ressaltou.
Casos registrados
No ano passado, a Polícia Civil prendeu 13 pessoas em uma operação para apreensão de drogas na zona Leste de Juiz de Fora. Quatro delas comandavam o tráfico de dentro do sistema prisional. Um deles usava celular pra fazer apologia ao Estado Islâmico nas redes sociais de dentro da penitenciária Ariosvaldo Campos Pires

Na semana passada, duas ocorrênciass teriam relação com a presença de drogas e celulares. Na penitenciária José Edson Cavalieri doze detentos ficaram feridos durante um motim. Os presos teriam se revoltado por causa de buscas nas celas.
Durante as buscas, foram localizadas em duas celas 26 buchas de maconha, nove celulares, 13 carregadores de celular, quatro cabos USB, duas baterias e sete chuços (armas artesanais). Dois presos assumiram a propriedade de parte dos materiais.
No Ceresp, segundo a OAB, a briga teria sido após um agente suspeitar de um preso estar consumindo droga. Sete presos tiveram ferimentos leves e foram atendidos pelo setor de saúde da própria unidade.

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