quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Toda rosa, policial revolta bandidos ao usar algemas e arma colorida em SP

Créditos: G1

Todos os utensílios da investigadora são rosas, inclusive a arma.
Katherine Cramer trabalha na Delegacia de Antissequestro de Santos.

Delegada tem todos os objetos de trabalho na cor rosa (Foto: Mariane Rossi/G1)
Alta, de cabelos pintados e com um sorriso largo no rosto, a investigadora Katherine Cramer chega todos os dias na Delegacia Antissequestro de Santos, no litoral de São Paulo,  com sua arma e algemas cor de rosa. A investigadora adora mostrar o lado feminino que existe na Polícia Civil, mas engana-se quem pensa que ela é uma 'patricinha' no ambiente masculino. Com dezenas de casos no currículo, ela usa a delicadeza e a determinação feminina para impor respeito e mostrar sua capacidade como policial nas ruas ou na solução de casos de alto risco.
“Eu achava bonito o trabalho da mulher na polícia. Estava fazendo a faculdade de Direito com algumas amigas que eram escrivãs e investigadoras. Eu comecei a estudar e consegui passar no concurso”, diz Katherine, que foi designada para a Delegacia de Antissequestro de Santos(DEAS).  Na época, ela se deparou com vários casos que ficaram conhecidos nacionalmente, como o sequestro da mãe do jogador Robinho. “A gente conseguiu prender todo mundo. Era uma loucura. A delegacia estava ‘bombando’ de sequestros”, conta.
Em 2006, ela passou a fazer parte do Grupo de Operações Especiais (GOE), uma unidade de recursos especiais do Departamento de Polícia Judiciária da Polícia Civil do Estado. “Eu dirigia a viatura toda preta. Na época, eu usava uma caneta e uma prancheta rosa”. Em 2007, ela foi trabalhar na Delegacia de Investigações Gerais e, no ano passado, voltou para a DEAS.

No ambiente hostil das delegacias, Katherine sempre fez questão de exibir o lado feminino. A mesa de trabalho dela sempre foi enfeita de objetos cor de rosa, bem diferente das outras repletas de acessórios pretos. “Eu ganhei um spray de pimenta rosa de uma vítima que ficou satisfeita com o atendimento. Ganhei uma camiseta cor de rosa da polícia. O pessoal vê que eu gosto e sempre acaba me dando alguma coisa. E assim foi aumentando”, conta ela.

Entre os itens, estão uma caveira cor de rosa, canetas, bloquinhos e o celular com uma capinha em formato de revolver, também rosa. Na mesa de canto, ela guarda a lancheira, alguns artigos de decoração e a cafeteira, também rosa. A ideia é sempre servir uma bebida para as vítimas dos casos em xícaras e colheres com lacinhos.

Katherine mostra seu par de algemas rosa (Foto: Mariane Rossi/G1)

Katherine também ganhou de amigos policiais um distintivo e um par de algemas da mesma cor. Para completar o kit, ela encomendou uma arma bem feminina. “Vi que tinha uma pequenininha na cor rosa. Tive que comprar na hora. Ela veio da fábrica. Os equipamentos estão todos registrados para poder trabalhar, tanto a arma como as algemas. O delegado permite”, explica.

A investigadora acredita que o toque de feminilidade e o ambiente mais aconchegante ajudam a deixar as vítimas mais à vontade para contar o caso ou prestar um depoimento. “O rosa dá uma quebrada no frio da delegacia. A vítima, a família, sempre chega abalada ou perdeu um parente. O pessoal dá uma relaxada, come uma balinha rosa, toma um cafezinho. Eles sentam no pufe, eles contam a vida. É um divã”, diz.
No início da carreira, ela conta que muitos duvidavam da sua competência ao ver o material de trabalho dela. Tudo isso por ser mais feminino. “As pessoas viam tudo rosa, achavam que eu não ia prender ninguém, que não ia chegar a lugar nenhum”, fala.  Após os primeiros casos solucionados, os colegas viram que Katherine desempenhava a função como qualquer outro policial e foi ganhando o respeito e o carinho dos profissionais do ramo.

Com as algemas cor de rosa, ela já prendeu muitos criminosos.  A investigadora conta que os homens ficam mais revoltados de estarem com a algema cor de rosa do que em ser preso, mas não faltam com o respeito e acabam por se conformar com a situação.

Com mais de 130 ocorrências no currículo, a investigadora sempre quer mais adrenalina na rua e casos de inteligência policial para solucionar. Determinada e dedicada, ela usa também estratégias e o pensamento feminino para sair na frente e mostrar o valor da mulher no meio policial.

“Eu viro a noite trabalhando, ainda mais quando tem um caso de sequestro, com vítima em cativeiro, fico direto. Quando eu entro em um caso, eu gosto de ir até o final, eu me empenho. Eu faço o máximo que puder para colocar na cadeia, não deixo ir para a rua”, afirma.
Katherine mostra a blusa rosa da polícia que ganhou dos colegas (Foto: Mariane Rossi/G1)

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