quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Artigo da edição de hoje do Jornal de Notícias: CRIME HEDIONDO

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(*) Felipe Caires 

O governo federal iniciou o esforço de tentar convencer a população, via 
publicidade paga com nosso dinheiro e pronunciamentos televisivos até mesmo do Ministro da Fazenda, de que seria doloroso, porém necessário, congelar os gastos com diversas despesas sociais, entre elas saúde e educação, para equilibrar as contas públicas nacionais. 

Haja marketing para convencer o povo desta lorota. Afinal, até as pedras sabem ser uma piada de mau gosto dizer que temos de economizar em saúde e em educação num país de escolas públicas ruins, professores mal pagos, hospitais públicos 
caóticos e servidores da saúde mal remunerados e escassos. 

Curioso e revelador, entretanto, que na proposta de controlar despesas nada 
se tenha falado sobre o governo gastar menos com juros escorchantes pagos a banqueiros e especuladores, ou sobre combater de forma mais eficiente a corrupção, estes dois ralos do dinheiro público, ou até mesmo sobre cortar mordomias de políticos e altos funcionários públicos. 

É a velha história. Cortar gastos impedindo que a população mais carente tenha escola e atendimento médico decentes é “doloroso mas necessário”. Cortar gastos com quem já recebe muito e indevidamente (especuladores, corruptos e marajás), “nem 
pensar”. 

Todo brasileiro com pelo menos um neurônio e um mínimo de respeito pelo 
semelhante sabe que isto é um absurdo. Não importa a religião. Não importa se era contra ou a favor do impeachment. Não importa em quem votou para prefeito ou vereador. 

A educação e a saúde públicas correm sério risco caso esta proposta do governo federal seja aprovada. É hora de o país, pacífica mas firmemente, unir-se contra ela. 

Se nosso presidente não parece muito preocupado com popularidade (afinal, 
está inelegível por conta de doações ilegais e não poderá disputar as próximas eleições), muitos deputados e senadores pretendem disputar o próximo pleito em 2018. 

É neles que devemos centrar nossa atenção. Envie e-mails. Telefone. Manifeste-se nas redes sociais. Alerte sua família e seus amigos. Não permita que a sua 
omissão colabore para que o sonho de as próximas gerações contarem com escola e saúde públicas de qualidade vire um pesadelo. Reaja contra este crime hediondo. 

(*) Promotor de Justiça da Comarca de Montes Claros

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