terça-feira, 17 de maio de 2016

Agentes socioeducativos do Norte de Minas permanecem em greve


Em Montes Claros, agentes se reuniram em frente ao Presídio Alvorada.
Apenas 30% do efetivo está trabalhando, diz diretor do sindicado na cidade.


Agentes socioeducativos se reuniram em frente ao Presídio Alvorada, em Montes Claros (Foto: Carlos Henrique Pires/ Arquivo Pessoal)
Agentes socioeducativos se reuniram em frente ao Presídio Alvorada, em Montes Claros (Foto: Carlos Henrique Pires/ Arquivo Pessoal)


greve dos agentes socioeducativos, técnicos dos sistemas socioeducativo e prisional e servidores administrativos, deflagrada em Montes Claros  na última quarta-feira (11), permanece por tempo indeterminado. Na tarde desta segunda (16), cerca de 30 funcionários se reuniram em frente ao Presídio Alvorada, pedindo respostas do Governo de Minas sobre um projeto de reforma enviado para a Assembleia Legislativa, que propõe a divisão da Secretária de Estado de Defesa Social (Seds).

Segundo o diretor do Sindicato dos Servidores Públicos do Estado de Minas Gerais em Montes Claros (Sindpublicos), Hugo Barbosa, a divisão da Seds em Secretaria de Estado de Segurança (Sesp) e Secretaria de Administração Prisional (Seap) significa, para o Sindicato, prejuízo na reinserção dos menores. “O governo quer que o sistema vire a antiga Febem, ao vincular o sistema socioeducativo à estrutura da Fundação Caio Martins (Fucam), que não tem preparação nenhuma e só R$ 2 milhões de verba, enquanto que o orçamento do socioeducativo chega a quase R$ 250 milhões, é descabido”, afirma.

O diretor garante que a greve continua por tempo indeterminado, e vai resistir até que o governo mostre posicionamento favorável à demanda dos agentes. “O governo já demonstrou interesse em marcar reuniões e propor negociações. Acreditamos que a situação vá se resolver. Uma Lei Orgânica começa a ser cogitada, inclusive. O Ministério Público de BH se manifestou favoravelmente ao que estamos propondo, então estamos otimistas”, conta Hugo.

Barbosa argumenta, ainda, que a situação prejudica diretamente aos adolescentes, que estão com atividades suspensas. “Em Montes Claros, só 30% do efetivo está trabalhando. Os adolescentes não têm aula, estão com visitas reduzidas, as atividades de oficina também estão suspensas. Eles estão ociosos, o que também causa insatisfação das famílias”, argumenta.


Servidores de Unaí também aderiram à greve (Foto: Lúcio Rocha/ VC no G1)
Servidores de Unaí também aderiram à greve
(Foto: Lúcio Rocha/ VC no G1)


Ainda de acordo com o Sindpublicos, outras cidades do Norte de Minas aderiram às manifestações nesta segunda-feira. Também se reuniram servidores do Presidio Regional de Montes Claros, Presídio de Janaúba, Penitenciária de Francisco Sá, Centro Socioeducativo Nossa Senhora Aparecida e Centro Socioeducativo de Unaí.

Ao G1, o Governo de Minas Gerais afirmou que reitera a nota enviada na última quarta-feira (11), acerca do movimento dos agentes socioeducativos.

“As questões referentes ao socioeducativo estão sob análise da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, conforme informado. O Governo do Estado reitera seu posicionamento de amplo diálogo junto às entidades que representam todos os servidores públicos estaduais. O Governo esclarece que, ao vincular o sistema socioeducativo à estrutura da Fucam, o atendimento aos jovens ganhará maior caráter educativo, uma vez que a instituição estará mais adequada à proteção da adolescência e à efetivação das normativas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”.

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