segunda-feira, 25 de abril de 2016

TEXTO: "O CARCEREIRO"



O CARCEREIRO

Antigamente o carcereiro era o encarregado de cuidar dos presos. Eram dois; um para a noite e outro para o dia. A transmissão de cargo era a chave. Quem tinha a chave tinha a função.
E tudo funcionava muito a contento. Quando aumentava a prisão, aumentava o numero de carcereiro, por óbvio. Foi ai que surgiu o chefe dos carcereiros. O governante observou que um tinha que comandar os demais.
Passado alguns anos com o aumento do crime, o governante resolveu criar o cargo de administrador da prisão que tinha um gabinete e, lógico, um ou uma auxiliar nos serviços burocráticos.
Logo o diretor começou a dar palpites na segurança e com isso enfraqueceu a autoridade do carcereiro, que passou a encaminhar os presos para os assistentes sociais.
O governo através de estudos e reuniões observou que era preciso controlar o diretor da prisão e nomeou um Diretor Geral que sendo um cargo político, começou a fazer mudanças e nomear diretores de prisões de sua confiança.
O carcereiro continuava abrindo e fechando celas, como sempre fez, e na sua volta aquela multidão de gente dando palpite e mudando tudo, aumentando seu trabalho e o desmotivando cada dia mais.
O governo achou por bem criar uma Secretaria Penitenciária e Justiça e nomeou um secretário, homem público e muito conhecido que garbosamente assumiu prometendo mudanças na estrutura toda do sistema.
O carcereiro passou a usar farda, a fazer escolta a dirigir viaturas e ter cursos de tiro, defesa pessoal e legislação aplicada a função e para isso deveriam ter mais estudo e foi--lhe exigido curso superior.
O governo, não satisfeito estipulou que as prisões deveriam obedecer a normas e o judiciário passou a julgar a conduta dos funcionários e da direção e interferir na execução penal.
O governo estipulou que o Ministério Público “fiscal da lei” visitasse as prisões todos os meses e até criou um livro para o promotor assinar e deixar sua vistoria ali registrada.
O carcereiro, com as inovações, passou a se chamar guarda penitenciário, logo Agente de Segurança Penitenciário, depois acharam que a palavra “segurança” era demais para aquele simples funcionário, e criaram o Agente Penitenciário. Só “agente” é muito melhor- pensaram.
Agora, o simples carcereiro continua no mesmo trabalho e tem tanta gente dando palpite na sua função que ele não pode nem mais falar, por que os “Direitos Humanos” aparece e esculacha com ele. Além de toda essa parafernália de gente em sua volta, há os corregedores, monitores, técnicos, deputados, tribunais de conta e até conselheiros penitenciários se arvoram na função que não conhecem, mas que são pagos para darem palpite.
O carcereiro continua lá.... Quieto e querem agora que seja chamado de Polícia Penal, dizem que assim serão inseridos na Constituição, que carcereiro e agente não existe.
Mas eles existem e estão lá, abrindo e fechando portas com ferrolhos e cadeados, com aquele molho de chave enorme e um monte de gente não fazendo nada em volta..... E por isso começou a faltar dinheiro para pagar o salário dele e foi assim que surgiu o parcelamento dos salários....Que chato !

Mario F. Mércio
AGENTE PENITENCIÁRIO APOSENTADO 
ESCRITOR

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