terça-feira, 8 de março de 2016

Membros do Comando Vermelho planejavam matar diretor da PCE na porta da cadeia

Por: MAX AGUIAR


Uma interceptação telefônica recuperada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) comprova que dois membros do Comando Vermelho planejavam a morte do diretor da Penitenciária Central do Estado (PCE), Roberval Barros. Por esse motivo, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Mato Grosso decretou a transferência de sete detentos para a Penitenciária Federal de Catanduvas, em Curitiba, popularmente conhecida como “Cadeião”.

PCE

Os dois condenados, considerados de altíssima periculosidade, que estavam a frente do plano de morte são Miro Arcangelo Gonçalves de Jesus, vulgo "Miro", e Isaias Pereira Duarte, conhecido como “Caverninha”. Uma fonte, que preferiu não se identificar, disse que no dia da transferência, Caverninha chegou a ameaçar o diretor novamente. "Ele falou que ia ter volta e que não ia ficar assim. Nesse momento ele já tinha começado a planejar a morte do diretor", frisou. 

Isaias era o mais violento nas ligações e ordenou que o diretor da PCE, Roberval Barros, fosse executado na porta da cadeia, como prova de que quem manda está preso e faz parte do Comando Vermelho. Sabendo que ele é um dos braços direitos do líder da facção, Sandro Louco, o GCCO achou que seria mais seguro transferir todos os apontados como líderes do Comando. 

Por telefone, a reportagem falou com o diretor da PCE, Roberval Barros, que relatou, inclusive, que era alvo de ameaças dentro da cadeia e que 'Caverninha' era o que mais incitava a violência contra ele.

“Tem uns 40 dias que eu não tenho mais paz. Esse Caverninha falava pra eu tomar cuidado, pois sabia que eu tenho filha, esposa, falava que ia me pegar, que sabia meus passos. Aí o GCCO me disse que eles queriam me matar na porta da cadeia, imagina como fica a cabeça da gente”, comentou.

Roberval ainda comentou que atualmente vive sob escolta e não pode mais sair de casa a não ser para ir ao trabalho. “Minha vida hoje é cerceada por conta desses criminosos. Eles planejaram me matar e hoje não posso mais andar sozinho. Se eu quero levar minha família no shopping, eu tenho que ir com segurança. No demais, eu só fico em casa. A gente tem medo, pois não sei do que eles são capazes”, completou o agente.

Vale ressaltar que foram transferidos sete membros do Comando Vermelho e não 14, conforme anunciado pelo HiperNotícias em 20 de fevereiro. A informação foi repassada erroneamente pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), que tratava a transferência dos presos como uma operação de sigilo total.

O advogado Neyman Monteiro, que trabalha na defesa de Sandro Louco, avisou que irá entrar com um processo pedindo a volta de seu cliente para a Capital, pois sua transferência ocorreu sem informações preliminares à advogados e familiares, que literalmente anoiteceram em Cuiabá e amanheceram em Catanduvas-PR. 

OUTRO LADO
Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) afirmou que a transferência de membros do Comando Vermelho não aconteceu por causa das supostas ameaças ao diretor da PCE, mas foi motivada por assunto "reservado à segurança do Governo do Estado".

Confira a nota na íntegra:
"A Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos de Mato Grosso (Sejudh-MT) vem a público esclarecer que a transferência de recuperandos do Sistema Penitenciário de Mato Grosso (Sispen-MT) não foram motivados por ameaças feitas por facção criminosa ao diretor da Penitenciária central do Estado (PCE). 

A ação é fruto de assunto reservado à segurança do Governo do Estado, e em nenhum momento o número de presos ou o local para o qual foram transferido foi divulgado oficialmente pela Sejudh".

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