terça-feira, 3 de novembro de 2015

Advogada que visitou presídios mais de 1 mil vezes é suspeita de movimentar R$ 2 milhões do PCC - Contas serviriam de passagem para dinheiro obtido pelo crime. Justiça aceitou denúncia

Do R7
Penitenciária de Presidente Venceslau, onde está a cúpula do PCCAlex Silva/14.05.2006/Estadão Conteúdo

A advogada Maria Odette Haddad, de 54 anos, é acusada de ter movimentado R$ 2 milhões em contas correntes, no período de 2005 a 2009, recebidos de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), apontado como a maior facção criminosa do país.
O Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou a advogada por lavagem de dinheiro.
De acordo com o órgão, a advogada contribuiu para que o PCC distanciasse de sua origem os valores obtidos de maneira criminosa. As contas bancárias da advogada teriam se transformado, conforme a acusação, em uma "passagem" de dinheiro da facção.
A Justiça aceitou a denúncia.
Segundo o Ministério Público, em uma das contas, a advogada movimentou cerca R$ 1,2 milhão: R$ 700 mil no período de outubro de 2005 a abril de 2008 e mais R$ 540 mil entre junho de 2007 e maio de 2009. Em outra conta, a movimentação financeira totalizou R$ 578 mil: R$ 355 mil de agosto de 2005 a julho de 2006 e R$ 223 mil entre agosto de 2006 a julho de 2007.
Parte das movimentações integrou relatórios do Coaf (Conselho de Operações Financeiras).
O Ministério Público afirma que, em todos os períodos, a saída de dinheiro da conta da advogada foi semelhante à entrada. Ainda de acordo com o órgão, os valores não têm relação com os serviços jurídicos prestados pela advogada.
Um relatório elaborado pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária e encaminhado ao Ministério Público aponta que Maria Odette esteve mais de mil vezes em penitenciárias, no período de fevereiro de 2003 até agosto de 2014, para conversar com presos e líderes do PCC.
Para o Ministério Público, a advogada viabilizou a comunicação entre os integrantes da facção criminosa, tanto entre aqueles que estavam nas prisões quanto os que se encontravam nas ruas.
A defesa da advogada entrou com habeas corpus, sustentando que a prática de crime atribuída a ela ocorreu antes de agosto de 2013, data em que a conduta passou a ser tipificada pelo artigo 1º da Lei 12.850/13. A Justiça, porém, indeferiu o pedido. 
O processo corre em segredo judicial.
Ataque a jornal
Em março de 2009, a advogada foi detida sob a acusação de ter ajudado o preso Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, um dos líderes do PCC, a planejar um ataque contra a Rede Anhanguera de Comunicação, de Campinas.
Um dos jornais do grupo havia publicado uma reportagem sobre o casamento de Andinho na prisão e o presidiário não gostou do conteúdo da matéria jornalística. Ele mandou jogar duas granadas no prédio do veículo de comunicação. Os artefatos não explodiram.
Segundo a Justiça, Andinho mandou Maria Odette descobrir o endereço da jornalista responsável pela matéria e a advogada se prontificou em cumprir a ordem do sequestrador. Em novembro de 2010, ela foi condenada a 4 anos e 6 meses por esse crime.

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