terça-feira, 14 de abril de 2015

Mauricio Ricardo pela charge " Impossível Barrar"


Confira na íntegra a resposta e comentem no link: 

http://charges.uol.com.br/emails-comentados/2015/04/14/editorial-aos-agentes-penitenciarios



Confira a nota publicada no UOL





Tenho recebido uma quantidade enorme de e-mails de agentes penitenciários indignados com minha charge de 07/04/2015, "Impossível barrar".
Num extremo, fui alvo até de uma “nota de repúdio” do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Rio Grande do Norte (Sindasp – RN). Na nota, sou acusado de afirmar “de maneira caluniosa que os agentes cobram dinheiro dos presos para permitir entrada de celulares ou facilitam a entrada desse tipo de ilícito nas unidades prisionais” (leia a íntegra aqui).
Cheguei a comentar nesta seção do site que em nenhum momento a charge teve o objetivo de atacar a classe como um todo. Reconheci ainda no meu comentário as enormes dificuldades vividas pela categoria no seu dia a dia (leia aqui).
Mas uma coisa é preciso deixar bem clara: como toda charge, a minha peça se baseia no noticiário. Causa espanto o uso do termo “calúnia” quando tudo o que a animação citada faz é denunciar, na linguagem do humor, uma realidade inegável e amplamente noticiada neste país: a corrupção nos presídios.
Uma simples busca no Google revela não um ou dois, mas dezenas de casos de afastamentos e processos contra diretores e agentes penitenciários. 
Eu poderia exemplificar com fatos ocorridos em quase todos os estados brasileiros, mas em resposta ao “repúdio” do Sindasp – RN citarei uma reportagem publicada mês passado na Tribuna do Norte, diário da capital potiguar. Nela (confira a íntegra) o juiz da Vara de Execuções Penais de Nísia Floresta, Henrique Baltazar, diz textualmente que a corrupção nas unidades do sistema prisional é realidade inquestionável: “Não há como uma pessoa esconder no próprio corpo alguns objetos como facão e, em alguns casos, aparelhos celulares”, denuncia.
O magistrado vai além ao afirmar que, como eu também creio, “uma minoria é corrupta, mas os honestos muitas vezes temem fazer a denúncia”, o que gera impunidade.
Só um caso citado na mesma reportagem, o do detento que teria pago um diretor de prisão com cartão de crédito (!) já daria uma outra charge.
Mas não é minha intenção, de forma alguma, demonizar os agentes penitenciários do Rio Grande do Norte. Reitero: entendo e me solidarizo com a luta diária de todos eles para desempenhar suas funções em condições precárias, dentro de um sistema falido.
Em contrapartida, não posso aceitar a minha demonização por ter feito o que faço, todo dia, por força de ofício: uma crítica do cotidiano a partir de fatos do noticiário.
Chamar minha charge de caluniosa é fechar os olhos para a realidade de que existem, sim, maçãs podres no cesto. É negar a existência do silêncio causado pelo medo. É, em última instância, se não compactuar, pelo menos banalizar uma – repito – realidade: a corrupção nas prisões brasileiras, seja no Rio Grande do Norte, em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul ou qualquer outro estado da Federação.
Chamar de “generalização” uma peça de humor que mostra três personagens fictícios vivendo uma situação que - descontados os exageros do humor - é plenamente verossímil, é vestir uma carapuça que absolutamente não faz justiça à luta do agente penitenciário.
Admito que minha charge não colabora para a melhoria da imagem da categoria. À maioria honesta dos profissionais já pedi, e peço de novo, minhas sinceras desculpas por qualquer mal estar causado pela peça. Mas “nota de repúdio”, agressões por e-mail e a negação do que é óbvio e amplamente noticiado me parecem atos ainda mais negativos que a charge. 
Culpar o cartunista pela desconstrução da imagem dos agentes penitenciários, quando não faltam fatos concretos para embasar a crítica, me lembra a história do marido que, ao ver sua mulher traindo-o com um amigo no sofá, resolve o problema vendendo o sofá. 
Mauricio Ricardo

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