quinta-feira, 16 de abril de 2015

Detentos produzem mais de mil carteiras por dia em fábrica montada na Penitenciária de Três Corações

Uma linha de produção industrial dentro de uma unidade prisional é um cenário difícil de imaginar. Mas esta é a realidade encontrada na Penitenciária de Três Corações, no sul do Estado. A unidade inaugurou nesta terça-feira (14.04) um galpão de trabalho que oferece a 30 presos do regime fechado a oportunidade de desenvolver uma profissão e de trilhar novos caminhos.
Quando estão dentro do galpão de trabalho os detentos substituem o uniforme vermelho da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) pelo uniforme branco da empresa parceira - a Mitty Lançamentos e Criações em Couros. Os presos fabricam diariamente uma média de 1.300 carteiras masculinas e femininas em couro, que são vendidas no mercado por preços que variam de R$250 a R$500 - dependendo do modelo.
Presos na produção de carteiras. Crédito foto: Carlos Alberto/Imprensa MG
O controle de qualidade é realizado por um detento que já passou por todas as etapas da produção durante o programa de treinamento e, hoje, se orgulha em poder auxiliar os colegas na fabricação das peças. Daniel da Silva Pereira avalia as carteiras produzidas cuidadosamente e, segundo ele, “costura torta e peças mal coladas devem ser refeitas”.
Já Marcelo Ferreira de Oliveira, de 37 anos, está feliz com a primeira oportunidade de emprego, depois de 11 anos preso. "Eu gostaria que o trabalho fosse ampliado em uma hora. A gente trabalha de 8h às 16h, mas poderia ser até às 17h. Quanto menos tempo a gente passar dentro do pavilhão, melhor", contou Marcelo.
Linha de produção
Trinta presos trabalham atentos a todos os detalhes das peças produzidas. O couro já chega ao galpão recortado, mas são os presos que realizam todas as colagens e costuras das carteiras. Parte por parte das peças são coladas manualmente, passam por uma esteira de secagem, são costuradas em uma máquina industrial, depois são limpas cuidadosamente para a retirada do excesso de cola e, finalmente, são colocados os fechos e adereços finais.
No local os detentos já chegaram a produzir 1.709 carteiras em um único dia. Pelo trabalho, eles recebem cerca de R$580 reais por mês. O salário é repassado para a SEDS pela empresa parceira e a secretaria é responsável por depositar a quantia em uma conta bancária aberta para o preso.
Como explicou o Superintendente de Atendimento ao Preso, Helil Bruzadelli, o detento recebe um cartão que lhe dá o direito de sacar o dinheiro quando ele recebe a sua liberdade. "Em alguns casos, a Justiça autoriza os familiares a realizar o saque deste valor mensalmente, mas cabe somente ao Poder Judiciário determinar quem pode ou não fazê-lo", argumentou Bruzadelli.
Subsecretário de Administração Prisional Antônio de Pádova Marchi Junior. Crédito foto: Carlos Alberto/Imprensa MG
Para o Subsecretário de Administração Prisional da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), Antônio de Padova Marchi Junior, os convênios de trabalhos firmados entre as unidades prisionais e as empresas parceiras tornam possível sonhar e acreditar em um futuro com índice de criminalidade menor. Padova, que estava presente no evento de inauguração da unidade de trabalho, ressaltou, ainda, que exemplos como este são extremamente significativos nos dias de hoje. "Sairemos daqui mais fortes e mais convictos de que podemos sim, sonhar mais alto", disse o subsecretário.
Outras oportunidades
Esta não é a primeira unidade de trabalho instalada dentro da Penitenciária de Três Corações. Além da confecção de carteiras, a unidade conta com um galpão de trabalho em parceria com a Tigre - empresa que fabrica tubulações e materiais plásticos para a construção civil.
A parceria já dura mais de dois anos e emprega vinte detentos. Diariamente 10 mil peças são montadas e embaladas pelos presos. As peças que compõem válvulas para pias e encanamentos, além de sifões, são montadas uma a uma e, depois, são embaladas, seladas e separadas em caixas, ficando prontas para serem enviadas aos distribuidores de todo o país.
Presos trabalham na produção de tubos plásticos. Crédito foto: Carlos Alberto/Imprensa MG
É neste galpão que trabalha Carlos Augusto Pereira Lopes, de 43 anos. Com uma pena de 17 anos, Carlos encontrou no trabalho a esperança para dias melhores dentro da unidade prisional. Ele está preso há cinco anos e, durante mais da metade deste tempo, trabalha no galpão da Tigre. "Esta foi uma grande oportunidade pra mim. Além de sair do pavilhão para trabalhar eu estou conquistando a minha liberdade dia após dia. A cada três dias que eu trabalho eu diminuo um dia na minha pena. Em vez de sair no final de 2019, vou poder sair em 2018", contou Carlos, o mais antigo entre os colegas no galpão de trabalho.
Por: Flávia Lima

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