segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

‘Curioso’: Presos pedem segurança à polícia para não serem mortos em Campina


Vamos repetir o conselho do ex-secretário da Administração Penitenciária da Paraíba Harrison Targino, sobre o sistema prisional: “melhor fazer por onde nunca entrar” (como preso, claro). Mas se por um acaso você não consiga se equilibrar na linha penal da vida – já que todos nós estamos sujeitos a sair do trilho –, muito cuidado com a convivência nos pavilhões do cárcere. O pior pode vir de fora das grades.
Estamos falando do regime Semiaberto, que, para alguns, é uma benção. Você passa o dia ‘curtindo a vida’ (não deveria ser assim, mas é assim que é) e se recolhe à noite. Vai apenas dormir na prisão.
A flexibilidade, porém, não é um benefício para todo detento. Sair do Albergue às 5h é o maior “cheiro do queijo” que existe para a bandidagem. Na rua e desarmado, o sujeito não tem como se defender dos inimigos e vira presa fácil. Somente este ano, três albergados foram mortos praticamente na frente da Casa de Albergue do Monte Santo, a dois passos do Centro de Campina Grande. Não é exclusividade nossa. Do Oiapoque ao Chuí, preso albergado corre esse risco no Brasil.
Essa ‘insegurança’ causou uma situação curiosa em Campina. Os albergados fizeram uma espécie de protesto bem particular: “Queremos uma viatura aqui na porta todos os dias, para nos dar segurança”. Os mesmos agentes que nos informaram sobre o caso nos disseram também que, a partir de então, uma guarnição da Polícia Militar se faz mais presente às 5h na porta do Albergue, para evitar mortes naquela área.
QUESTÃO DE LÓGICA
O Paraiba em QAP tem defendido que as questões relacionadas ao sistema penitenciário deveriam (ou ao menos ‘poderiam’) estar sob sua própria alçada: vigilância das guaritas, recapturas de fugitivos, intervenções em presídios, etc., como já fazem o GPOE e a Força Tática Penitenciária. Essa segurança na porta do Albergue, portanto, deveria ser feita também pelos grupos especializados do Sispen. Questão de lógica.
TEM LÓGICA?
É, alguém vai dizer que “preso também é cidadão e tem o direito de ser protegido pela polícia”. Tudo bem. Mas a letra fria da lei não impede a sensação estranha que a situação causa. Muitos daqueles detentos já tentaram (e alguns conseguiram!) matar policiais nas ruas. Agora, feche os olhos, esqueça o barulho ao seu redor, vista uma farda imaginária e se sinta como se estivesse dentro de uma viatura na frente do Albergue, para defender algumas (ou muitas, vai saber...) pessoas que lhe matariam somente porque você escolheu essa profissão: “fazer a segurança das pessoas”. Estranho, não? Um advogado defensor público [por exemplo] que teve um filho assassinado faria a defesa desse mesmo assassino em outra causa?
O ‘X’ DA QUESTÃO
Durante a conversa com os agentes, um deles levantou uma hipótese recheada de humor lógico: “Se os policiais se oferecessem para passar mais tempo perto dos presos, tipo o dia todo, por exemplo, para lhes dar mais segurança, será se apenados aceitariam?” (risos na mesa).

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