quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Mãe de agente penitenciário baleado espera que Cadu continue preso Solto em 2013, assassino de cartunista é suspeito de efetuar os disparos. 'Ele não consegue mais viver em sociedade', acredita dona de casa.

Vitor SantanaDo G1 GO

Darlene Fernandes Sousa, mãe de Marcos Vinícius Lemes da Abadia, em Goiânaia, Goiás (Foto: Vitor Santana/G1)

Mãe do agente prisional baleado reclama de impunidade (Foto: Vitor Santana/G1)

A família do agente prisional Marcos Vinícius Lemes da Abadia, de 45 anos, internado em estado grave após ser baleado na última quinta feira (28) em uma tentativa de assalto no Setor Bueno, em Goiânia, está inconformada com o crime. Para os parentes da vitima, o fato do suspeito de efetuar os disparos, Carlos Eduardo Nunes, conhecido como Cadu, estar em liberdade mesmo cometendo um duplo homicídio em São Paulo, em 2010, é o que mais causa revolta.

O agente penitenciário foi atingindo por dois tiros, um na cabeça e outro no braço. Ele está internado no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), em estado grave, e respira com a ajuda de aparelhos. "Se realmente foi ele [o Cadu], ele tem que ficar preso o resto da vida dele. Ele não consegue mais viver em sociedade", diz, comovida a mão de Marcos, a dona de casa Darlene Fernandes Sousa, de 67 anos.
Cadu confessou ter matado o cartunista Glauco Vilas Boas e o filho dele, Raoni Vilas Boas, em Osasco (SP). Apesar disso, estava em liberdade porque ele possui esquizofrenia e a Justiça considerou que ele não poderia responder pelo ato.
Na tarde de segunda-feira (1º), Cadu foi preso após uma perseguição policial em Goiânia, segundo a polícia, dirigindo um carro roubado. Esse veículo havia sido levado durante o assalto no Setor Bueno, na noite de domingo (31), quando um jovem de 21 anos foi assassinado. Cadu também é suspeito de envolvimento nesse latrocínio.
Ainda segundo a mãe do agente prisional, no dia do crime, o filho saiu de casa dizendo que estava atrasado para o trabalho e que não iria almoçar em casa. "Desde então, ele nunca mais voltou. Depois disso, eu só recebi a notícia de que ele tinha sido baleado. Eu fui visitar ele no hospital, mas é muito difícil ver meu filho daquele jeito [internado na UTI do hospital]", completou. 
Marcos é o mais velho de três filhos. Para a tia Coraci Fernandes, a Justiça errou em dar a liberdade para Cadu. "O erro começou em São Paulo. O crime foi lá, tinha que ficar preso lá. Não tinha que vir para Goiânia atingir o meu sobrinho e matar um outro inocente”, disse.

Marcos de Abadia está internado em estado grave, em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Marcos de Abadia está internado em estado grave,
em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Já de acordo com a irmã da vitima, a consultora de vendas Maísa Lemes santos, 42, não restam duvidas de que Cadu é o autor dos tiros que acertaram a cabeça do agente prisional. "Eu acredito fielmente que foi ele quem atirou. Tem duas testemunhas que foram até a delegacia e reconheceram ele [suspeito]. Se ele não é capaz de responder pelos próprios atos, tem que ficar em um abrigo para sempre, recebendo o atendimento médico. Senão ele pode voltar e cometer outros crimes", defende.
Para a família, o sentimento que resta é o de esperança de que Marcos vai se recuperar e o desejo de que Cadu seja condenado por seus crimes. "A gente nunca pensa que vai acontecer com a gente. É uma coisa que não tem como explicar o choque. Agora estamos em uma corrente de oração 24 horas por dia pela recuperação dele", disse a tia.
Trabalho voluntário
Marcos fazia trabalhos voluntários há mais de 20 anos, segundo a irmã, Maísa Lemes. "Ele tinha uma ONG [Organização Não Governamental]. Fazia trabalhos assistenciais com idosos e menores infratores em recuperação. O Marcão levava eles para os trabalhos alternativos, como pintar muro, calçadas, limpar lotes abandonados, prestar serviços para a comunidade”, relatou.

Ainda segundo a consultora de vendas, Marcos distribuía cestas básicas para famílias carentes e organizava festas para a terceira idade. Em uma de suas ações, retirou peças de caça-níqueis apreendidos e montou computadores para serem doados para escola pública.
Carlos Eduardo Sundfeld Nunes foi preso suspeito de latrocínio em Goiânia, Goiás (Foto: Divulgação/PM)
Carlos Eduardo foi preso durante uma perseguição
policial (Foto: Divulgação/PM)
Liberdade
Após a prisão em 2010, Cadu foi incluído no Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), em Goiânia, onde a família dele mora. Ele passou por tratamento em uma clínica psiquiátrica, mas, em agosto de 2013, a Justiça de Goiás considerou que ele podia receber alta médica. A decisão foi tomada pela juíza Telma Aparecida Alves, da 4ª Vara de Execuções Penais. Segundo a decisão, Cadu estava apto a passar a fazer tratamento ambulatorial, em vez de ficar internado.

A juíza disse acreditar que não houve erro ao conceder liberdade, no ano passado, ao rapaz. "Tomei todas as precauções que estavam ao meu alcance, os relatórios, os laudos médicos. Não acho que houve um erro", afirmou em entrevista coletiva nesta terça-feira (2). Ainda de acordo com a magistrada, não há como prever o comportamento dos presos que cumprem medida de segurança.
A juíza ressaltou que Cadu era acompanhado mensalmente pela Justiça de Goiás e que "a vida dele estava controlada", fazendo faculdade de psicologia e trabalhando.
Cadu continuava a fazer tratamento contra esquizofrenia na rede pública de saúde do estado. A informação foi confirmada ao G1 pela superintendente de Políticas de Atenção Integral à Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás, Mabel Bel Socorro. No entanto, diferente do que disse a juíza, a superintendente afirma que ele comparecia a um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de três em três meses.“Temos registros de que ele continuava frequentando o Caps e, segundo a família, tomava a medicação corretamente e até estava trabalhando”, afirmou.
Sobre os novos crimes pelos quais Cadu é suspeito, a juíza Telma Aparecida explicou que ele será indiciado como um criminoso comum. No entanto, em função da esquizofrenia, ele poderá ser absolvido.

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