terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

MG:Como resposta à crise, governo anuncia reforço de 800 militares.


A partir de amanhã, 800 policiais militares que desempenhavam exclusivamente funções administrativas vão atuar também no policiamento de rua em Belo Horizonte e na região metropolitana. Essa é uma das medidas anunciadas pelo governador Antonio Anastasia em reposta às manifestações na imprensa, redes sociais e faixas espalhadas pela cidade cobrando do governo uma reação contra a alta criminalidade no Estado. Hoje, cerca de 7.000 militares atuam no policiamento ostensivo da capital.

Serão criados dois batalhões chamados de Metrópole, com 400 policiais em cada. Para eles, não será criada uma nova estrutura, física – eles serão agregados às unidades já existentes. Os militares vão atuar nas áreas onde há maior índice de violência, principalmente nos bairros com grande número de crimes violentos contra o patrimônio (roubos e extorsão mediante sequestro). “Nosso objetivo é forçar uma participação cada vez maior do nosso efetivo, das polícias Civil e Militar, com presença nas ruas. Menos burocracia e mais ação”.

Revezamento. Os policiais dos novos batalhões não irão abandonar totalmente os trabalhos administrativos. Será criada uma escala de revezamento entre atividades de rua e as internas. Não há informações de quantos militares irão para as ruas em cada dia. Segundo o comandante da PM, coronel Márcio Martins Sant’Ana, vai depender da escala diária.

Sant’Ana ainda explicou que os militares do reforço terão uma nova forma de patrulha. “Ele vai interagir mais com a comunidade, vai conversar com as pessoas. Ao contrário daquela postura fria, distante e até pouco percebida pela população”, explicou.

Com a novidade, o coronel admitiu que haverá prejuízo às funções administrativas. “Esse serviço vai ficar prejudicado. É preciso que esses militares se desdobrem para que não seja prejudicado em sua plenitude. Horas trabalhadas no serviço burocrático serão trocadas por horas na operação. Essa é uma escolha trágica, mas o momento nos impõe esse esforço”. Outros 400 policiais administrativos também podem ser destinados ao policiamento de rua, caso necessário. Além disso, nos próximos 30 dias devem tomar posse 1.300 servidores civis que irão atuar no setor burocrático da PM. Não foi divulgado o tempo de treinamento dos funcionários e eles irão atuar em todo o Estado, não apenas na região metropolitana, de onde sairá o reforço para as ruas.

Para o sociólogo e professor da PUC Minas Moisés Soares, a medida trará benefícios apenas na sensação de segurança do cidadão e dificilmente reduzirá crimes. “É um equívoco vender para opinião pública que só a presença de policiais vai resolver. As causas são múltiplas, como facilidade de acesso a armas e falta de políticas públicas para jovens de periferia”.


Lei dificulta combate, diz Anastasia

O governador Antonio Anastasia criticou a legislação nacional. Segundo o político, o combate à violência fica prejudicado por leis brandas, principalmente no que diz respeito à prisão em flagrante de crimes com menor potencial ofensivo.

“Quero reiterar a necessidade de reflertimos a atual legislação. Há uma reclamação das unidades policiais, que em muitos casos o suspeito é preso por roubo por mais de 15 vezes, mas tem que ser liberado”, reclamou. O governador afirmou ainda que a preocupação com a segurança pública é a principal demanda da sociedade brasileira e não apenas dos mineiros. (BM)
Fonte: O Tempo

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